Em entrevista ao Canal 13 de Israel, ministro da Defesa Israel Katz discutiu os ataques dos EUA às instalações nucleares iranianas que ocorreram no fim de semana.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta quinta-feira (26) que Estados Unidos e Israel exigiram formalmente que o Irã entregue seu estoque de urânio enriquecido. A declaração foi dada em entrevista ao Canal 13 israelense, na qual Katz confirmou que os recentes ataques às instalações nucleares iranianas tiveram como objetivo neutralizar capacidades estratégicas de Teerã, sem destruir diretamente o material nuclear.
As tensões no Oriente Médio voltaram a escalar após declarações do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, nesta quinta-feira (26), durante entrevista ao Canal 13 de Israel. Segundo Katz, Estados Unidos e Israel formalizaram uma exigência conjunta para que o Irã entregue o estoque de urânio enriquecido que mantém em seu território, após os ataques coordenados a instalações nucleares iranianas no último fim de semana.
“Estava claro desde o início que o ataque neutralizaria a infraestrutura ao redor — não eliminaria o material (nuclear) em si”, disse Katz. “Agora, há uma posição conjunta americano-israelense dizendo ao Irã: vocês devem entregar este material”, completou o ministro.
Objetivo: neutralizar, não destruir
A operação militar, cujos detalhes ainda não foram totalmente confirmados por fontes oficiais americanas, mirou instalações de enriquecimento e conversão de urânio no território iraniano. De acordo com Katz, o objetivo foi desativar capacidades técnicas essenciais ao avanço do programa nuclear iraniano, e não provocar a destruição direta dos estoques nucleares — o que poderia representar risco ambiental e humanitário.
“Hoje, eles [iranianos] não têm como produzir uma bomba nuclear, porque também destruímos a instalação de conversão que transforma o urânio em forma sólida”, afirmou o ministro.
Especialistas em segurança nuclear explicam que a instalação de conversão citada por Katz é fundamental para a transição do urânio enriquecido em gás para uma forma metálica, passo necessário para a produção de armamento nuclear. Sem essa capacidade, o Irã enfrentaria dificuldades técnicas significativas para fabricar uma ogiva atômica.
Repercussão internacional
A exigência de entrega do urânio representa uma nova etapa na pressão internacional contra o programa nuclear iraniano, que já enfrentava sanções severas impostas por Washington e aliados ocidentais. A ofensiva diplomático-militar surge num momento de forte deterioração nas relações entre Irã e Israel, agravada pelos episódios recentes na Faixa de Gaza e pela crescente influência do Irã sobre grupos armados na região, como Hezbollah e Houthis.
O governo iraniano, até o momento, não comentou oficialmente a exigência feita por EUA e Israel, mas classificou os ataques como “agressão grave” e prometeu retaliação. Diplomatas europeus têm atuado para evitar uma escalada militar mais ampla, enquanto analistas avaliam que a exigência de entrega do urânio representa uma tentativa de forçar o Irã a recuar sem necessidade de nova ofensiva direta.
Programa nuclear sob vigilância
Desde 2018, quando os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do Acordo Nuclear de 2015 (JCPOA), o Irã passou a retomar progressivamente suas atividades nucleares. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Teerã já possui urânio enriquecido a níveis próximos aos necessários para armamento, embora oficialmente sustente que o programa tem fins pacíficos.
Para o professor David Albright, especialista em proliferação nuclear e presidente do Institute for Science and International Security (ISIS), sediado em Washington, a ofensiva liderada por EUA e Israel é uma mensagem de que a linha vermelha foi cruzada. “A destruição de estruturas-chave e a exigência pública da entrega de urânio indicam que os aliados estão dispostos a impedir o avanço nuclear iraniano com todos os meios disponíveis”, afirmou em entrevista à Foreign Policy.
Implicações regionais
A exigência imposta ao Irã acende alertas em outras capitais da região. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — adversários históricos do Irã — apoiaram discretamente a ação, segundo fontes diplomáticas. Já Rússia e China, que mantêm relações estratégicas com Teerã, criticaram a ofensiva e convocaram reuniões emergenciais no Conselho de Segurança da ONU.
Especialistas temem que o aumento da pressão possa desencadear represálias diretas por parte do Irã ou de seus aliados regionais. “Estamos diante de um momento perigoso, onde qualquer erro de cálculo pode se transformar em conflito aberto”, alertou Suzanne Maloney, vice-diretora do Brookings Institution, em artigo publicado nesta quinta-feira.
Serviço ao leitor – Entenda o que está em jogo:
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O que aconteceu?
Israel e EUA atacaram instalações nucleares iranianas e exigiram a entrega do urânio enriquecido. -
Por que agora?
As potências alegam que o Irã acumulou material suficiente para produzir armas nucleares. -
O que diz o Irã?
Até o momento, classificou os ataques como agressão e prometeu resposta, sem aceitar a exigência. -
Qual o risco?
Escalada militar na região e colapso definitivo das negociações nucleares com o Ocidente.