A economia dos Estados Unidos registrou no primeiro trimestre deste ano sua primeira retração trimestral desde 2022, com o Produto Interno Bruto (PIB) encolhendo 0,5%, segundo dados revisados divulgados nesta semana. O resultado surpreendeu analistas, que esperavam crescimento modesto, e acende sinais de alerta para o desempenho da maior economia do mundo em 2025.
A principal causa da queda foi a desaceleração dos gastos dos consumidores, que atingiram o menor nível em mais de quatro anos. O consumo interno representa cerca de 70% do PIB americano e historicamente tem sido motor de crescimento. Economistas apontam que a confiança do consumidor foi abalada por um ambiente de juros ainda elevados, persistência inflacionária em alguns setores e, mais recentemente, o temor de novas tarifas comerciais.
A incerteza sobre tarifas ganhou força com as declarações do ex-presidente Donald Trump, que propõe aumentos significativos sobre importações caso retorne ao poder. Em resposta antecipada ao risco tarifário, houve um salto nas importações no trimestre, à medida que empresas americanas buscaram garantir estoques antes de eventuais aumentos de custos. Esse aumento das compras externas pressionou o déficit comercial, contribuindo para o resultado negativo do PIB.
No plano político, o cenário fiscal também gera preocupações. Trump tenta aprovar no Congresso um novo orçamento federal que, segundo estimativas do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), deve adicionar cerca de US$ 3,8 trilhões à dívida pública americana ao longo dos próximos anos. A proposta combina cortes de impostos — medida popular entre empresários — com aumento nos gastos em defesa e assistência a veteranos de guerra.
Por outro lado, o projeto prevê redução de custos em áreas como pesquisa científica e saúde pública, com mudanças no Medicaid que poderiam deixar cerca de oito milhões de americanos sem cobertura de saúde. O impacto social dessas alterações é tema de intenso debate entre legisladores.
Apesar das críticas sobre a trajetória da dívida, Trump defende que o plano vai proteger e criar empregos, reduzir taxas e estimular o crescimento econômico. A expectativa inicial era votar o orçamento até 4 de julho, mas o calendário enfrenta atrasos, já que partes do texto foram rejeitadas pelo Legislativo e precisam de reformulação.
A situação se torna ainda mais delicada com os alertas do Tesouro americano. O secretário Scott Bessent prorrogou o uso de medidas extraordinárias de gestão de caixa para garantir os pagamentos federais, ressaltando que sem um aumento ou suspensão do teto da dívida o governo pode ficar sem recursos para cumprir obrigações.
O quadro indica que, além dos desafios de curto prazo com o consumo interno e o comércio exterior, a economia dos EUA enfrentará forte debate político sobre sustentabilidade fiscal, prioridades de investimento público e gestão da dívida. O resultado do impasse no Congresso deve ter implicações não apenas domésticas, mas também para mercados globais, dada a importância dos Estados Unidos no comércio e no sistema financeiro internacional.