EUA preparam nova ofensiva contra autoridades brasileiras
Plano de sanções graduais pode atingir aliados de Lula e ministros do STF; estratégia americana busca pressionar o Brasil a respeitar liberdades democráticas e rever postura autoritária
A sanção imposta pelo governo dos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 30 de julho, pode ser apenas o início de uma série de medidas diplomáticas e econômicas mais amplas. A decisão foi oficializada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), com base na Lei Global Magnitsky, que prevê punições a estrangeiros envolvidos em corrupção e violações graves de direitos humanos. Moraes teve os bens bloqueados sob jurisdição americana, foi proibido de entrar nos EUA e está impedido de operar com instituições financeiras ligadas ao sistema bancário do país.
Fontes ligadas ao alto escalão da Casa Branca revelaram que há um plano de sanções graduais contra outras autoridades brasileiras, em especial ministros do STF que votaram contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de figuras próximas ao presidente Lula. “Há discussões internas sobre restrições de visto a esses aliados, com exceção de Lula, da primeira-dama e do vice-presidente Geraldo Alckmin. O objetivo é aplicar pressão seletiva”, afirmou uma fonte em Washington.
Entre as medidas estudadas está a revogação de vistos já concedidos e a exigência de pagamento de até 500 dólares para brasileiros solicitarem novamente a entrada nos EUA. Especialistas avaliam que essa estratégia de “castigo seletivo” se soma às tarifas comerciais aplicadas recentemente pelo governo Trump, dentro de uma lógica de premiar aliados da liberdade e punir autoridades que violam princípios democráticos.
Segundo o senador Marco Rubio, defensor da Lei Magnitsky, o objetivo é claro:
“Togas judiciais não podem proteger quem atropela os direitos fundamentais de seus compatriotas.”
A repercussão interna foi imediata. No mesmo dia da sanção, Moraes foi flagrado fazendo um gesto obsceno ao ser vaiado durante um jogo de futebol na Neo Química Arena, em São Paulo. Parlamentares da oposição, como Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro, criticaram duramente a atitude, considerada imprópria diante da gravidade do cenário institucional.
O episódio ganhou mais contornos dramáticos após o ex-assessor de Moraes no TSE, Eduardo Tagliaferro, prometer divulgar denúncias sobre o funcionamento interno do gabinete do ministro. Atualmente vivendo na Itália, ele afirma que houve parcialidade, perseguição política e supostas fraudes em decisões do TSE durante o mandato de Moraes como presidente da Corte Eleitoral.
Premiação a aliados e punição a autoritários
A política externa americana tem demonstrado, segundo analistas, uma clara distinção entre países considerados parceiros democráticos e regimes com viés autoritário. A Argentina, sob o governo de Javier Milei, foi agraciada com negociações de tarifa zero em até 80% dos produtos e isenção de vistos para cidadãos argentinos viajarem aos EUA.
“É uma diplomacia de alinhamento: liberdade é premiada, autoritarismo é sancionado”.
As exigências americanas também tocam em pontos sensíveis da política interna brasileira, como a regulação das redes sociais. O governo Lula e setores do STF defendem mecanismos mais rígidos de controle da informação para combater discursos de ódio e desinformação. Já o governo Trump e o movimento conservador MAGA enxergam essas medidas como instrumentos de censura institucionalizada.
Brasil no radar de Washington
A proximidade do governo brasileiro com regimes como Cuba e Venezuela aumenta as desconfianças em Washington. “Há temor de que o Brasil esteja caminhando para uma política externa que favoreça ditaduras, o que contraria os esforços dos EUA por um continente mais livre”, avaliam diplomatas ouvidos.
A divergência entre as duas nações vai além das tarifas e atinge o conceito de democracia e liberdade de expressão. De um lado, o Brasil afirma defender a soberania nacional e a independência dos poderes. De outro, os EUA alegam que as sanções não interferem na política interna, mas buscam responsabilizar indivíduos por abusos específicos.
O Brasil está no centro de uma disputa geopolítica por narrativas democráticas. A sanção a Moraes, as possíveis restrições futuras a outras autoridades e os elogios a regimes como o de Milei na Argentina revelam a estratégia norte-americana de reposicionar sua influência no continente. Cabe agora ao governo brasileiro decidir se continuará em rota de confronto ou se buscará reconstruir pontes com seu principal parceiro comercial e político nas Américas.