Sanções dos EUA impulsionam oposição e protestos contra Moraes e o governo Lula
Após as sanções econômicas e judiciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e ao ministro Alexandre de Moraes (STF), movimentos ligados à direita articulam manifestações nacionais previstas para este domingo (3). O foco será o impeachment de Moraes e a aprovação do projeto de lei que prevê anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A convocação ocorre na esteira da escalada de tensão entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Na quarta-feira (30), os EUA oficializaram o bloqueio de bens do ministro Moraes com base na Lei Global Magnitsky, que pune autoridades acusadas de violações de direitos humanos. No mesmo dia, o governo americano também assinou um decreto que impõe tarifas de 50% sobre exportações brasileiras, a vigorar a partir de 6 de agosto.
O gesto de Trump foi interpretado pela oposição como um endosso simbólico às críticas contra o Supremo Tribunal Federal e ao cerco judicial enfrentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Réu por suposta tentativa de golpe, Bolsonaro está impedido de sair de casa nos fins de semana e feriados, usar redes sociais ou comparecer a eventos públicos. Por isso, sua presença nas manifestações é descartada.
Os atos foram convocados por lideranças da bancada do PL (Partido Liberal) e contam com apoio de governadores aliados. Estão previstas manifestações em São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais. Flávio e Carlos Bolsonaro devem comparecer. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ainda não confirmou presença, e o governador Tarcísio de Freitas (SP), por motivos de saúde, pode se ausentar.
A oposição também pressiona a Câmara dos Deputados a votar o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. No entanto, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sinalizado resistência às demandas. Até o momento, não há previsão de votação.
Analistas veem na reação da direita um novo capítulo de polarização institucional. O apoio tácito dos EUA ao sancionar um ministro da Suprema Corte brasileira é interpretado como uma interferência sem precedentes. Para a oposição, trata-se de uma “legitimação externa” das denúncias de abusos de autoridade.
Enquanto isso, cresce o apelo por uma resposta institucional mais clara do Congresso e pela pacificação das tensões entre os Poderes. A manifestação deste domingo será, para muitos, um termômetro da capacidade de mobilização da direita após as decisões do governo americano.