Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo, que participam do Programa Antártico Brasileiro (Proantar) revelou que as geleiras e calotas polares atingiram níveis acelerados de derretimento.

Além de informações do Programa, a análise reuniu dados do World Glacier Monitoring, organização internacional que monitora mudanças nos glaciares, e demonstrou que desde 1976 as geleiras perderam quase 9.200 gigatoneladas de gelo. Vale dizer que cada gigatonelada corresponde a um trilhão de quilogramas.
Segundo o estudo “Planeta em Degelo”, o volume de água perdida pelas geleiras atingiu nove mil quilômetros cúbicos, algo semelhante ao que o rio Amazonas, considerado o maior do mundo, despeja no oceano ao longo de 470 dias. A maior parte desse gelo saiu das regiões da Antártica e Groenlândia.
Um dos autores do estudo, o professor da Unifesp Ronaldo Christofoletti, alerta que o degelo possui relação direta com o aquecimento anormal da terra e isso representa um risco para as regiões costeiras.
“Tantas notícias de que 2023, 2024, 2025, eles foram os anos mais quentes da história. Então não é à toa que a gente também tá vendo os cinco últimos anos das geleiras com a sua maior perda acumulada. Geleiras e calotas polares. O planeta esquenta, derrete o gelo. Só que essa água vai para o oceano e aí ela vai chegar nas cidades costeiras, ali nas praias. Porque o mar vai subir e ele vai pedir de volta um pedaço dos continentes ali”.
Apesar de reconhecer que algumas medidas estão sendo tomadas para mudar esse cenário, o professor defende que ainda é preciso concretizar os acordos e temas discutidos em conferências climáticas globais, como a COP 30, realizada em novembro do ano passado no Brasil. Nesse meio tempo, medidas de impacto imediato precisam ser adotadas pelas regiões costeiras com potencial catastrófico.
“A gente precisa adaptar as nossas cidades. Essa é uma medida mais imediata. Precisa reconhecer que isso está ocorrendo e adaptar. E garantir que as cidades então, principalmente costeiras nesse caso, pensando pelo aumento do nível do mar, possam cuidar da sua orla, cuidar da erosão costeira”.
Em relação ao ensino sobre o tema, o Brasil é um dos países pioneiros na implementação da cultura oceânica em escolas, com o chamado “currículo azul”, iniciativa que busca conscientizar alunos sobre a importância dos oceanos como fonte essencial da vida.
*Sob supervisão de Vitória Elizabeth.
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