Mulheres vão a serviços de saúde antes de feminicídios, mostra projeto

PUBLICIDADE

mulheres-vao-a-servicos-de-saude-antes-de-feminicidios,-mostra-projeto

Mulheres vítimas de violência procuraram mais vezes as unidades de saúde, alegando questões de saúde mental, nos três meses que antecederam uma grave agressão ou mesmo um feminicídio. Essa foi a conclusão do cruzamento de dados feito pela Prefeitura do Recife e que fundamentou uma nova ferramenta para prevenção e a assistência às mulheres vítimas de violência.

O projeto usa inteligência artificial para identificar possíveis vítimas nas Unidades de Saúde e emitir um alerta para médicos, enfermeiros, dentistas e outros profissionais. A mensagem chega por meio do Prontuário Eletrônico das Unidades Básicas, durante o atendimento.

O uso da Inteligência Artificial, batizada “ClarIA”, analisou os atendimentos de 16 mil mulheres vítimas de violência, ao longo de 10 anos. As vítimas tendem a buscar mais atendimento para tratamentos psicológicos, alegando quadro depressivo, ansiedade ou pânico.

As informações foram cruzadas com o Sistema de Informações de Agravos de Notificação, e daí foi possível identificar padrões de adoecimento e comportamento das vítimas, explicou a secretária de Saúde, Luciana Albuquerque.

“No estudo feito com mais de 900 mil registros de mulheres em vários sistemas de informação e o prontuário eletrônico da atenção básica, se constatou que  92 dias antes do feminicídio a mulher procura mais vezes a unidade básica de saúde, pedindo socorro, mas não de forma aberta. Ela não fala claramente sobre a violência. E 30 dias depois da notificação ocorre o feminicídio”.

Hoje, três em cada quatro notificações de violência contra a mulher são feitas já pelos pronto-socorros, enquanto apenas 1% são feitas na Atenção Básica. Uma subnotificação que pode ser enfrentada, de acordo com a Secretária da Mulher, Glauce Medeiros.

“Um dos graves problemas do enfrentamento à violência contra a mulher é a subnotificação e agora com a ClarIA, nós vamos poder chegar mais cedo junto a essas mulheres que estão em situação de violência e esas mulhres serão encaminhadas para a secretaria da Mulher, para nossa rede de enfrentamneto, a Rede ClariCCC, onde nossa equipe multidisciplinar estará pronta para atender, acolher e encaminhar caso a caso, de acordo com a especiicade de cada um”.

O projeto piloto para ajudar a identificar mulheres vítimas de violência começou em três Unidades de Saúde da Família. Neste mês de março, serão mais 21 unidades integradas à iniciativa no Recife.

2:23

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima
×

Converse com nosso time no WhatsAPP

× O Metro BH