Ajoia Brasil nasce em BH
A Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados (Ajoia Brasil) foi lançada oficialmente na noite de 30 de março, em Belo Horizonte, com a proposta de reunir profissionais comprometidos com liberdade de imprensa, ética, responsabilidade editorial e apuração rigorosa. Com sede na capital mineira, a entidade informa reunir jornalistas de 12 estados e manter representações no exterior, em uma rede que pretende ampliar o debate público e a produção de conteúdo independente.
A cerimônia ocorreu no Antonielli Restaurante e Pizzeria, no Barroca Tênis Clube, e marcou a apresentação pública de uma associação que, segundo seus organizadores, surge em meio ao ambiente de polarização, ruído informacional e desconfiança em relação à imprensa. No material oficial divulgado antes do evento, a Ajoia Brasil definiu como eixo central de sua atuação a defesa da deontologia jornalística, da imprensa livre e do compromisso permanente com os fatos.
Na estrutura executiva publicada no portal da entidade, a presidência está com José Aparecido Ribeiro; a vice-presidência, com Alexandre Pinto Siqueira; a 1ª vice-presidência, com Raimundo Pereira Cunha; a secretaria-geral, com Neimar Fernandes Lopes; e a diretoria-tesouraria, com Jussara Aparecida Ribeiro. A página de fundadores lista ainda nomes como Cristina Graeml, Jorge Serrão, Walter Navarro, Willian Saliba, José Carlos Bortoloti e Luís Otávio Pires, entre outros profissionais ligados ao projeto.

A abertura da solenidade foi marcada por uma homenagem ao jornalista J.R. Guzzo, apresentado pelos organizadores como referência de coragem intelectual, compromisso com os fatos e defesa da liberdade de expressão. Em seguida, o secretário-geral, Neimar Fernandes, afirmou que a Ajoia Brasil nasce “com um propósito claro”: reafirmar os pilares do jornalismo, entre eles a liberdade de expressão, a ética e o compromisso inegociável com os fatos. O tom da cerimônia foi o de resgate do papel clássico do jornalismo como atividade de interesse público, voltada à informação verificada e à responsabilidade social.
Ao falar na abertura oficial, o presidente José Aparecido Ribeiro disse que a associação nasceu de uma inquietação profissional e pessoal diante do que considera distorções no ambiente informativo brasileiro. Em sua fala, relatou episódios que, segundo ele, ajudaram a impulsionar a criação da entidade e reforçaram a necessidade de organizar jornalistas independentes em torno de princípios comuns. Esse discurso converge com o editorial publicado pela própria Ajoia, no qual a associação afirma ter surgido da necessidade de fortalecer o jornalismo independente e recuperar a ética profissional.
O lançamento também teve caráter cultural e programático. A entidade informou que a noite incluiria exposição literária com obras como Jornalismo: a um passo do abismo…, de Alexandre Siqueira, e Sociedade dos Poetas Vivos, de Dan Berg. Para 2026, a associação prevê uma agenda permanente de debates, palestras, entrevistas, lançamentos e expansão de canais digitais, com presença em vídeo, YouTube e podcasts.
O evento foi prestigiado por jornalistas, autoridades, empresários e representantes da sociedade civil. Entre os nomes destacados durante a cerimônia estavam Augusto Nunes, e José Serrão, além de participação em vídeo de Alexandre Garcia, mencionado pelos organizadores como associado honorário. Também foram registradas presenças de autoridades públicas e convidados do meio institucional e da comunicação.
No campo institucional, a criação da Ajoia Brasil vinha sendo estruturada havia meses. Edital publicado em janeiro registrou assembleia geral da associação, informou que a sede estava em Belo Horizonte e apontou que, naquela data, a entidade tinha 29 associados, com o registro ainda em fase de análise cartorial. Já na cerimônia desta semana, José Aparecido Ribeiro afirmou que o grupo chegou a 52 integrantes e pretende ultrapassar a marca de 100, em um movimento de expansão nacional.
Segundo Cássio Mota, CEO e editor de OMetro, o jornalismo sério, pautado na ética, na verdade e na responsabilidade social, permanece como um dos pilares essenciais da democracia. Para ele, a atividade jornalística exige compromisso permanente com a transparência, com a independência editorial e com a defesa dos fatos acima de interesses circunstanciais. Ao refletir sobre a essência da profissão, Mota recorre a formulações que sintetizam esse ideal. Clóvis Rossi definiu o jornalismo como a “prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter”, enquanto Gabriel García Márquez ressaltou que a ética deve acompanhar o ofício como uma presença constante e inseparável. Na mesma linha, Cássio Mota sustenta que a defesa da verdade é central e que a supressão de informações ou a submissão a agendas políticas compromete a própria razão de ser do jornalismo.
Para o editor de OMetro, o papel social da imprensa vai além do simples registro de acontecimentos. O jornalismo, afirma, é um instrumento de revelação da verdade, capaz de retirar a venda dos olhos do público e de oferecer à sociedade elementos para compreender o presente. Nesse sentido, ele observa que a imprensa registra, muitas vezes em tempo real, fatos que mais adiante serão contados nos livros e preservados por gerações. A prática diária de um jornalismo imparcial, acrescenta, fortalece a liberdade de expressão e amplia a proteção democrática.
A lista de apoios e parceiros do lançamento incluiu o patrocínio do Antonielli Restaurante e Pizzeria, além de apoio do Instituto Besc, Âmago Vinhos e Espumantes e Rede Royal Hotéis, com parcerias de empresas de comunicação visual, propriedade intelectual, varejo, inteligência competitiva e gestão de eventos. A composição indica que a associação tenta nascer já com base institucional, rede de relacionamento e presença pública organizada.
Mais do que a inauguração de uma nova entidade, o lançamento da Ajoia Brasil funcionou como um manifesto público em defesa de um jornalismo que se quer independente, factual e responsável. A proposta anunciada em Belo Horizonte é ambiciosa: recuperar confiança, reforçar a liberdade de imprensa e recolocar a apuração no centro da atividade jornalística. Para o leitor e para o mercado, o passo seguinte será observar como esse discurso institucional se converterá, na prática, em produção consistente, plural, verificável e útil à sociedade.