Roscoe leva gestão e agenda social ao PL
A filiação de Flávio Roscoe ao Partido Liberal, formalizada na noite de terça-feira, 31 de março, em Brasília, colocou de vez o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais no centro da disputa de 2026 em Minas. A formalização ocorreu com a presença de lideranças nacionais do PL e reforçou o peso político de Roscoe no partido. Após o encontro, ele afirmou que colocou seu nome “à disposição do coletivo” e de projetos para o futuro de Minas e do Brasil.
O movimento tem efeito político imediato. O PL passou a exibir Roscoe como um nome “altamente preparado” para disputar o governo, ao mesmo tempo em que mantém abertas as conversas com o governador Mateus Simões e com o senador Cleitinho Azevedo. Na prática, a filiação reforça a posição do partido no tabuleiro mineiro e dá à legenda uma opção de candidatura própria com densidade empresarial, presença institucional e discurso afinado com eficiência administrativa, produtividade e protagonismo do setor privado.
Roscoe chega a essa nova etapa ancorado numa trajetória já consolidada no associativismo industrial. Empresário do setor têxtil e sócio-diretor do Grupo Colortextil, ele presidiu o Sindimalhas-MG de 2000 a 2020 e, em 2018, foi eleito para comandar a Fiemg, tornando-se o mais jovem presidente da história da entidade, segundo perfil publicado pela Jovem Pan. Desde então, foi reconduzido ao cargo e ampliou sua projeção pública em Minas e fora do estado.
O principal argumento político a seu favor é a combinação entre discurso liberal e resultado de gestão. Em entrevista publicada por O TEMPO em dezembro de 2025, Roscoe afirmou ter recebido a Fiemg com patrimônio na casa de R$ 800 milhões e projetado entregar a entidade, ao fim de oito anos de liderança, com patrimônio líquido total acima de R$ 6 bilhões. O jornal destacou que sua gestão deixou como marcas o reforço dos investimentos em educação, a recuperação da imagem da indústria e a reorganização patrimonial da federação.
Mas o capital político de Roscoe não se resume à agenda econômica. Sob sua gestão, a Fiemg ampliou o peso social de suas ações, especialmente na educação. Em 2023, a federação anunciou investimento de R$ 1,2 bilhão para expandir a rede SESI em Minas, com meta de passar de 35 para 60 unidades, beneficiando 39 municípios e cerca de 100 mil alunos. Hoje, o sistema informa ter 46 unidades em funcionamento. Em inauguração realizada nesta semana em Araçuaí, Roscoe afirmou que o SESI passou de 60 mil para 300 mil vagas, das quais 120 mil com bolsa integral, e resumiu sua visão dizendo que “o desenvolvimento do ser humano é a verdadeira transformação”.
Na educação profissional, os números também ajudam a sustentar o discurso de modernização com alcance social. A Fiemg informou em março que o SENAI-MG atingiu 1,5 milhão de matrículas durante a gestão de Roscoe, com recorde de 252.801 inscritos ao fim de 2025. A federação atribui esse avanço a investimentos em infraestrutura, qualificação de profissionais e atualização do parque tecnológico para atender diretamente às necessidades da indústria e do mercado de trabalho.

O lado humano de sua passagem pela Fiemg apareceu de forma mais contundente durante a pandemia de covid-19. Em agosto de 2020, a entidade doou 1,6 mil respiradores produzidos em Minas e destinados à rede hospitalar do estado. Em março de 2021, entregou mais 100 ventiladores mecânicos para abertura de novos leitos de UTI em todas as macrorregiões mineiras. Na ocasião, o governo estadual destacou a relevância da parceria, e o próprio Roscoe afirmou que a mobilização da indústria transformou a federação na maior doadora de respiradores do país, além de ter viabilizado também leitos, máscaras, jalecos e álcool em gel.
A frente social também alcançou saúde e segurança do trabalhador. No relatório de sustentabilidade de 2023, a Fiemg informou que mais de 2.100 empresas foram atendidas em serviços de Saúde e Segurança do Trabalhador por meio do SESI Vida, além de outras 350 em ações de promoção à saúde. Em outra frente recente, Roscoe destacou novos investimentos articulados pela indústria mineira para apoiar a Santa Casa BH, com recursos voltados ao fortalecimento de ações assistenciais e estruturais da instituição.
Além das pautas sociais, Roscoe é reconhecido como formulador de um projeto de estado mais enxuto e mais eficiente. Em entrevista à CNN Brasil, defendeu uma reforma administrativa baseada em meritocracia, ganho de produtividade e melhoria dos serviços públicos. Em artigo publicado no Poder360 neste mês, argumentou que o país precisa rever regras de carreiras e incentivos para abrir espaço a investimentos em infraestrutura, inovação e produtividade. Seu discurso público também tem associado desenvolvimento econômico à desburocratização, à segurança jurídica e à formação de capital humano.
Na indústria e na inovação, sua gestão buscou ligar competitividade a desenvolvimento de longo prazo. Em maio de 2025, a Fiemg inaugurou em Lagoa Santa o primeiro laboratório-fábrica de ímãs e ligas de terras raras do hemisfério sul, apresentado pela entidade como passo estratégico rumo à autonomia tecnológica. Para Roscoe, o projeto pode consolidar uma cadeia produtiva de alto valor agregado em Minas, conectando pesquisa, manufatura e transição energética.
Politicamente, a aproximação de Roscoe com Flávio Bolsonaro e com a família do candidato do PL à Presidência não é nova. Em 2022, ele passou a ser citado como nome cogitado para um eventual Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em caso de reeleição presidencial, embora a própria Fiemg tenha informado, à época, que não havia definição nesse sentido. Agora, com a filiação ao PL, essa relação deixa o campo das especulações e passa a integrar de forma mais determinante o cenário político-eleitoral de Minas.
Para o eleitor, a principal informação prática é esta: Roscoe ainda não teve o cargo anunciado pelo PL, mas já se licenciará da Fiemg em 2 de abril para cumprir os movimentos exigidos pelo calendário político e avaliar a candidatura. O que sua entrada acrescenta à disputa é um perfil menos centrado na retórica partidária e mais apoiado em gestão, educação, indústria, inovação e ações de impacto social. Em um estado que discute crescimento, emprego, qualificação profissional e eficiência do poder público, Roscoe passa a ocupar um espaço relevante como nome capaz de unir agenda liberal e vitrine concreta de resultados.