Os preços das mensalidades dos cursos de graduação em instituições privadas de ensino superior caíram em 2026 em comparação a 2025, de acordo com estudo divulgado nesta sexta-feira (22), no Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular, no Rio de Janeiro. No geral, as mensalidades das graduações presenciais caíram 4,3%, e, as dos cursos a distância (EAD), 1,8%. 

Os dados são da pesquisa Cenário de Precificação da Graduação – Brasil 2026, realizada pela Hoper Educação em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). O levantamento considera os valores efetivamente praticados pelas instituições, incluindo descontos comerciais e de pontualidade.
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Segundo o estudo, a mediana nacional das mensalidades presenciais chegou a R$ 835 em 2026, enquanto o conjunto da educação a distância permanece em patamar inferior, com mediana de R$ 214. Em 2025, essas medianas eram, respectivamente, R$ 873 e R$ 218.
Esses são os valores do meio da amostra, ou seja, metade das mensalidades praticadas no país é mais cara e, metade, mais barata.
Os maiores valores da série histórica, desde 2013, são um valor mediano para as mensalidades presenciais de R$ 1.278, registrado em 2015, e R$ 524 para as formações a distância, em 2013.
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Preços dos cursos
Segundo o levantamento, as engenharias presenciais destacam-se entre as perdas reais mais expressivas da série histórica, com uma da mediana, passando de R$ 1.743, em 2016, para R$ 967, em 2026.
Na análise dos pesquisadores, isso indica que cursos tradicionalmente associados à formação técnica, produtiva e de maior retorno econômico também foram atingidos pela retração de demanda, pela ampliação da oferta e pela pressão competitiva e migração de modalidade.
Medicina segue como o curso de maior valor de mensalidade da graduação brasileira. Em 2026, a mediana é de R$ 11,4 mil, nas privadas.
Estudantes mais exigentes
O movimento de redução das mensalidades reforça, de acordo com a pesquisa, o aumento da pressão competitiva sobre as instituições de educação superior privadas e indica maior sensibilidade dos estudantes em relação ao custo-benefício das formações ofertadas.
Em um mercado mais pressionado, o estudo afirma que as instituições que não conseguirem sustentar diferenciação tendem a competir por preço.
Para as instituições, segundo a pesquisa, precificar deixou de ser apenas aplicar reajuste ou desconto, passou a depender da capacidade de demonstrar valor acadêmico, experiência, empregabilidade, reputação e confiança.
“Hoje, o aluno não apenas pergunta quanto custa; ele pergunta se vale”, diz o estudo.
Educação a distância
Nos últimos anos, a EAD passou por uma reformulação no país. O crescimento expressivo e a baixa qualidade fizeram com que o Ministério da Educação (MEC) suspendesse o processo de autorização de cursos superiores e de credenciamento de instituições de educação superior na modalidade à distância.
Em 2025, o MEC revisou as regras para a oferta EAD nos cursos do ensino superior com o objetivo de garantir a qualidade dos serviços e o desenvolvimento da aprendizagem de todos os estudantes. Entre as mudanças, a partir do novo marco regulatório, nenhum curso de bacharelado, licenciatura e tecnologia poderá ser 100% a distância.
De acordo com o estudo, essa mudança ainda não chegou a ser totalmente precificada. “O desafio é que parte dos cursos migrados ainda opera com valores próximos à EAD de 2025, embora o semipresencial tenda a exigir maior estrutura, presencialidade e custo de entrega”, diz.
Ensino superior no Brasil
No Brasil, a educação superior privada concentra a maior parte das matrículas. De acordo com o último Censo da Educação Superior (2024), eram 8,2 milhões de estudantes na graduação privada, o que corresponde a quase 80% do total de 10,2 milhões matriculados no ensino superior.
No total, o ensino a distância superou o ensino presencial, com 5,2 milhões de estudantes matriculados (entre as instituições públicas e privadas), contra 5 milhões no ensino presencial.