Movimento “Responsa na Copa”

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Movimento “Responsa na Copa” propõe uma Copa pela vida das mulheres

Iniciativa idealizada pelo enfermeiro e professor Marcos Antônio Garcia Vieira une esporte, conscientização e mobilização social para prevenir a violência contra mulheres, crianças e grupos vulneráveis durante a Copa do Mundo de 2026

Pouco antes de a bola rolar para Brasil e Japão pela Copa do Mundo de 2026, Minas Gerais entra em campo por uma causa que vai além do futebol. Em meio ao clima de festa, encontros em bares, reuniões familiares, comemorações nas ruas, eventos em clubes, escolas, empresas e espaços públicos, surge o movimento “Responsa na Copa: Uma Copa pela Vida das Mulheres”, iniciativa que pretende transformar a maior competição esportiva do planeta em um grande chamado à responsabilidade, ao respeito e à proteção da vida.

Idealizado pelo enfermeiro e professor Marcos Antônio Garcia Vieira, o movimento nasce com o objetivo de promover saúde, prevenção, proteção, cultura de paz e não violência, com ênfase no enfrentamento aos feminicídios, à violência contra as mulheres, ao racismo e a todas as formas de agressão que podem se intensificar em contextos de festas, consumo de álcool, aglomerações e celebrações esportivas.

A proposta é simples, direta e urgente: torcer, comemorar e vibrar pelo Brasil, mas sem ultrapassar os limites do respeito. Em tempos de Copa do Mundo, quando o futebol mobiliza milhões de pessoas e transforma a rotina de cidades inteiras, o movimento chama atenção para a importância de proteger mulheres, crianças, adolescentes, pessoas idosas e todos aqueles que podem estar em situação de vulnerabilidade.

Com o lema “Nessa Copa, faça a diferença no mundo”, a campanha busca sensibilizar torcedores, famílias, escolas, universidades, bares, restaurantes, clubes, empresas, atletas, influenciadores, lideranças comunitárias e gestores públicos. A intenção é aproveitar a força simbólica do futebol para ampliar o debate sobre convivência, responsabilidade social, prevenção da violência e fortalecimento das redes de proteção.

Segundo os organizadores, o movimento começou em Minas Gerais, mas já desperta interesse em outros estados, como São Paulo. A expectativa é que a campanha seja multiplicada por meio de ações digitais, eventos esportivos, corridas temáticas, rodas de conversa, atividades educativas e mobilizações comunitárias durante os jogos da Seleção Brasileira e ao longo de toda a Copa do Mundo.

A iniciativa surge em um contexto preocupante. De acordo com dados apresentados pelos idealizadores da campanha, Minas Gerais registrou 125.893 casos de violência contra mulheres em 2024 e 163 feminicídios no mesmo período. No Brasil, mais de 1.200 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2024. Em escala mundial, organismos internacionais apontam que dezenas de milhares de mulheres e meninas são assassinadas todos os anos em razão de violência de gênero, muitas delas dentro de casa, por parceiros, ex-parceiros ou familiares.

Para Marcos Antônio Garcia Vieira, o futebol pode ser uma poderosa ferramenta de mobilização social quando associado à educação, à prevenção e à defesa da vida.

“A Copa do Mundo é um momento de alegria, união e encontro. Mas também precisa ser um momento de responsabilidade. Queremos que as pessoas torçam, celebrem e estejam juntas, mas com respeito às mulheres, às crianças, às famílias e à vida. Nenhuma comemoração pode justificar violência, humilhação, ameaça, agressão ou abuso”, afirma o idealizador do movimento.

A campanha também destaca que a violência contra a mulher não se resume à agressão física. Ela pode aparecer em forma de ameaça, controle, humilhação, perseguição, violência psicológica, violência patrimonial, violência sexual, racismo, assédio, constrangimento público e comportamentos abusivos naturalizados em ambientes de festa. Por isso, o movimento propõe uma atuação preventiva, educativa e comunitária.

Durante a Copa, muitos jogos são acompanhados em ambientes coletivos, com consumo de bebidas alcoólicas, rivalidade esportiva, pressão emocional, deslocamentos, festas e comemorações após as partidas. Esses elementos não causam a violência por si mesmos, mas podem agravar situações já marcadas por conflitos, desigualdade de gênero, machismo, racismo e ausência de limites. A mensagem central do “Responsa na Copa” é que a responsabilidade individual e coletiva precisa estar presente antes, durante e depois dos jogos.

A campanha orienta que familiares, amigos, vizinhos, comerciantes, organizadores de eventos e lideranças comunitárias fiquem atentos a sinais de risco. Discussões agressivas, ameaças, empurrões, isolamento de mulheres, controle sobre celular, constrangimentos públicos, xingamentos e demonstrações de medo não devem ser tratados como “briga de casal” ou “coisa de momento”. Em caso de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo 190. Para orientação, acolhimento e encaminhamento de denúncias relacionadas à violência contra a mulher, o canal nacional é o Ligue 180, serviço gratuito e disponível 24 horas por dia.

Além da proteção às mulheres, o movimento chama atenção para o cuidado com crianças e adolescentes durante festas e eventos. Em dias de jogos, é comum que famílias se reúnam em bares, praças, clubes e casas de amigos. A campanha reforça a necessidade de atenção à circulação de crianças, exposição a situações de risco, consumo de álcool por adultos responsáveis, violência verbal, negligência e qualquer forma de abuso.

Outro eixo da iniciativa é o enfrentamento ao racismo. Em competições esportivas, manifestações discriminatórias podem aparecer em comentários, “brincadeiras”, ofensas, publicações em redes sociais e ataques direcionados a atletas, torcedores ou trabalhadores. O movimento defende que a Copa também seja um espaço de respeito à diversidade, valorização da cultura, convivência democrática e rejeição a qualquer forma de discriminação racial.

“Não existe festa bonita quando existe medo. Não existe comemoração legítima quando alguém sai ferido, ameaçado, diminuído ou violentado. A Copa precisa ser lembrada pela alegria, pelo esporte e pela vida, não por casos de violência que poderiam ser evitados”, destaca Marcos Antônio.

Entre as ações previstas estão campanhas nas redes sociais, distribuição de materiais educativos, mobilização de influenciadores, parcerias com escolas e universidades, eventos esportivos com mensagens de prevenção, caminhadas, corridas temáticas e articulação com municípios interessados em aderir à proposta. A ideia é que cada cidade possa adaptar o movimento à sua realidade, envolvendo secretarias municipais, conselhos de direitos, equipes de saúde, assistência social, educação, segurança pública, clubes, torcidas organizadas e entidades da sociedade civil.

A proposta também dialoga com o Pacto Nacional de Prevenção e Enfrentamento à Violência, ao Feminicídio e ao Racismo, ao defender que o combate à violência não seja uma ação isolada, mas uma agenda permanente. Na prática, o movimento pretende contribuir para que a proteção às mulheres seja lembrada em um dos períodos de maior visibilidade mundial: a Copa do Mundo.

Para bares, restaurantes, clubes e espaços que transmitem os jogos, a campanha sugere medidas simples, mas importantes: orientar equipes de atendimento, coibir comportamentos abusivos, criar canais internos de apoio, manter atenção a mulheres em situação de vulnerabilidade, evitar tolerância com assédio e acionar autoridades quando houver risco. Já para famílias e grupos de amigos, a recomendação é combinar previamente formas de cuidado, transporte seguro, limites para consumo de álcool e atenção especial a crianças, adolescentes e mulheres que possam precisar de apoio.

A campanha também aposta no poder do compartilhamento. Peças digitais, frases de impacto e mensagens educativas serão usadas para alcançar torcedores antes e depois dos jogos. A intenção é fazer com que a mensagem circule nos grupos de WhatsApp, perfis de Instagram, escolas, empresas, coletivos esportivos e comunidades.

Entre as mensagens propostas pelo movimento estão: “Nessa Copa, respeito também entra em campo”, “Torcer pelo Brasil é também torcer pela vida das mulheres”, “Comemoração não combina com violência”, “Se presenciar violência, não se cale” e “Uma Copa pela vida, pela paz e pelo respeito”.

O jogo entre Brasil e Japão, que mobiliza torcedores em todo o país, simboliza também uma oportunidade para iniciar essa conversa de forma ampla. Antes do apito inicial, o movimento propõe uma reflexão: a paixão pelo futebol deve unir, não ameaçar; deve emocionar, não ferir; deve celebrar a vida, não colocar mulheres e crianças em risco.

A mobilização mineira reforça que a prevenção começa em atitudes cotidianas. Respeitar limites, não naturalizar agressões, intervir com segurança, acolher vítimas, denunciar ameaças e educar crianças e jovens para relações sem violência são ações fundamentais para mudar a cultura que sustenta o feminicídio, o racismo e outras formas de violência.

Com origem em Minas Gerais e expansão para outros estados, o “Responsa na Copa: Uma Copa pela Vida das Mulheres” pretende deixar um legado que ultrapasse o calendário esportivo. A Copa passa, mas a defesa da vida precisa permanecer como compromisso coletivo.

Serviço e orientação à população

Em caso de emergência ou risco imediato, acione a Polícia Militar pelo 190. Para orientação, acolhimento e denúncia de violência contra a mulher, procure o Ligue 180, serviço gratuito, nacional e disponível 24 horas por dia. Denúncias também podem ser feitas nas delegacias, nos serviços especializados de atendimento à mulher, nos equipamentos de assistência social e nos canais oficiais de segurança pública.

Movimento: Responsa na Copa: Uma Copa pela Vida das Mulheres
Idealizador: Marcos Antônio Garcia Vieira, enfermeiro e professor
Origem: Minas Gerais
Abrangência: Mobilização em Minas Gerais, com expansão para outros estados
Lema: Nessa Copa, faça a diferença no mundo
Foco: Prevenção da violência contra mulheres, enfrentamento ao feminicídio, combate ao racismo, proteção de crianças e promoção da cultura de paz durante a Copa do Mundo de 2026

 

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