Raposa aparece com 4% da preferência nacional, alcança 8% no Sudeste e reforça sua posição como uma das maiores potências populares do futebol brasileiro.
O Flamengo permanece com a maior torcida do Brasil, mas a nova pesquisa Datafolha também apresenta um dado de enorme relevância para o futebol mineiro: o Cruzeiro aparece com 4% da preferência nacional e ocupa a quinta posição do levantamento, atrás somente de Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo.
Na classificação nominal, a Raposa tem a maior torcida entre todos os clubes situados fora do eixo Rio-São Paulo. O Cruzeiro aparece à frente de Vasco e Grêmio, ambos com 3%, e registra o dobro do percentual atribuído ao Atlético-MG, que ficou com 2%.
Os números confirmam a dimensão nacional da torcida celeste e mostram que o Cruzeiro ultrapassa amplamente as fronteiras de Minas Gerais. A força azul está presente no interior mineiro, em diferentes estados do Sudeste e em comunidades de torcedores espalhadas pelas demais regiões brasileiras.
O levantamento nacional foi realizado nos dias 22 e 23 de julho, com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, entrevistadas em 139 municípios das cinco regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Flamengo mantém a liderança
Segundo o Datafolha, 22% dos brasileiros declaram torcer pelo Flamengo. O Corinthians permanece na segunda colocação, com 14%, enquanto Palmeiras, com 7%, e São Paulo, com 6%, completam o grupo dos quatro primeiros.
O Cruzeiro surge logo depois, com 4%, consolidando-se entre as cinco maiores torcidas do país. Vasco e Grêmio aparecem com 3%. Seleção Brasileira, Atlético-MG, Internacional, Santos e Fluminense registram 2% cada.

Bahia, Botafogo, Vitória, Athletico-PR, Sport e Remo foram mencionados por 1% dos entrevistados. Outros 22% afirmaram não torcer para nenhum clube. O percentual de pessoas sem time chega a 29% entre as mulheres e fica em 13% entre os homens.
Ranking completo das torcidas
| Posição nominal | Clube ou seleção | Percentual |
|---|---|---|
| 1º | Flamengo | 22% |
| 2º | Corinthians | 14% |
| 3º | Palmeiras | 7% |
| 4º | São Paulo | 6% |
| 5º | Cruzeiro | 4% |
| 6º | Vasco | 3% |
| 6º | Grêmio | 3% |
| 8º | Seleção Brasileira | 2% |
| 8º | Atlético-MG | 2% |
| 8º | Internacional | 2% |
| 8º | Santos | 2% |
| 8º | Fluminense | 2% |
| 13º | Bahia | 1% |
| 13º | Botafogo | 1% |
| 13º | Vitória | 1% |
| 13º | Athletico-PR | 1% |
| 13º | Sport | 1% |
| 13º | Remo | 1% |
O ranking deve ser interpretado considerando os arredondamentos e a margem de erro da pesquisa. Assim, embora o percentual nominal do Cruzeiro seja o dobro dos 2% atribuídos ao Atlético-MG, o levantamento não permite afirmar que exista, estatisticamente, uma proporção exata de dois cruzeirenses para cada atleticano em toda a população brasileira.
Ainda assim, a diferença numérica é significativa para a compreensão do tamanho das duas marcas no cenário nacional. O Cruzeiro aparece com dois pontos percentuais a mais, ocupa posição superior no ranking e mantém uma presença fora de Minas historicamente mais extensa.

Maior torcida fora de Rio e São Paulo
A quinta colocação nacional representa um feito expressivo. Entre os clubes que não pertencem aos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, o Cruzeiro é o primeiro colocado na classificação nominal.
A Raposa aparece com 4%, seguida pelo Grêmio, com 3%. Atlético-MG e Internacional têm 2%, enquanto Bahia, Vitória, Athletico-PR, Sport e Remo aparecem com 1%.
Esse posicionamento ajuda a explicar por que o Cruzeiro possui projeção nacional muito superior à de um clube restrito ao mercado estadual. A história de grandes conquistas, as transmissões nacionais, as campanhas internacionais, os ídolos de diferentes gerações e a presença de famílias cruzeirenses em vários estados formaram uma torcida ampla e geograficamente diversificada.
A pesquisa não apresenta um detalhamento específico da torcida cruzeirense em cada estado. Por isso, não é possível calcular com precisão onde estão todos esses torcedores. O resultado nacional, entretanto, confirma que a preferência pelo Cruzeiro ultrapassa com folga a população de Minas Gerais.
Cruzeiro chega a 8% no Sudeste
O desempenho celeste também ganha destaque quando a pesquisa analisa somente o Sudeste, região mais populosa do Brasil e sede de oito dos clubes citados no levantamento.
Nesse recorte, o Corinthians aparece numericamente na frente, com 20%, seguido pelo Flamengo, com 16%. Como a margem de erro regional é de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
São Paulo, com 10%, Palmeiras, com 9%, e Cruzeiro, com 8%, completam as cinco primeiras posições. A Raposa, portanto, alcança no Sudeste um percentual duas vezes maior do que os 4% registrados na amostra nacional. E mais que o dobro que o seu rival citadino o Atlético-MG.
A presença cruzeirense nesse grupo é especialmente relevante porque o clube disputa espaço com quatro marcas sediadas nos dois maiores mercados econômicos e midiáticos do país. Mesmo concentrando sua principal base em Minas Gerais, o Cruzeiro permanece próximo dos gigantes paulistas no recorte regional.
O resultado também demonstra a força do clube no interior do Sudeste. Além de sua enorme presença em Minas, o Cruzeiro possui torcedores no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e em São Paulo, estados marcados pela circulação de famílias mineiras e pela exposição histórica dos grandes jogos celestes em televisão aberta.
Flamengo lidera Norte, Centro-Oeste e Nordeste
O Flamengo aparece com 29% no Nordeste e alcança 34% no agrupamento formado por Centro-Oeste e Norte. As margens de erro nesses recortes são, respectivamente, de quatro e seis pontos percentuais.
No Sul, a liderança é dos dois grandes clubes gaúchos. O Grêmio aparece com 20%, e o Internacional registra 15%. O Flamengo vem em seguida, com 11%, à frente de Corinthians, com 9%; Palmeiras, com 7%; e Athletico-PR, com 4%. A margem de erro para o Sul é de seis pontos percentuais.
Liderança entre homens e mulheres
O Flamengo também ocupa a primeira colocação nos recortes por gênero. Entre os homens, aparece com 24%, seguido por Corinthians, com 15%; Palmeiras, com 8%; e São Paulo, com 7%.
Entre as mulheres, o Flamengo registra 20%, contra 13% do Corinthians, 6% do Palmeiras e 5% do São Paulo. A margem de erro para esses recortes é de três pontos percentuais.
Ao mesmo tempo, o levantamento chama atenção para o percentual de brasileiros que não adotam nenhum clube. Entre as mulheres, quase três em cada dez entrevistadas responderam não torcer para uma equipe. Esse universo representa uma oportunidade de expansão para os clubes que investirem em experiências familiares, futebol feminino, conteúdos digitais e maior aproximação com novas gerações.
Evolução histórica da liderança flamenguista
A série histórica do Datafolha começou em 1993. Naquele momento, o Flamengo tinha 17%, enquanto o Corinthians aparecia com 10%.
A diferença diminuiu nas décadas seguintes até os dois clubes alcançarem 16% em 2012. Posteriormente, o Flamengo voltou a abrir vantagem. Os resultados foram de 18% a 14% em 2014; 18% a 14% em 2018; 20% a 14% em 2019; 21% a 15% em 2023; 19% a 14% em 2024; e 22% a 14% no levantamento atual.
O desempenho esportivo recente contribuiu para ampliar a exposição rubro-negra. Desde 2021, o Flamengo conquistou as Libertadores de 2022 e 2025, o Campeonato Brasileiro de 2025, as Copas do Brasil de 2022 e 2024 e as Supercopas do Brasil de 2021 e 2025.
A força do Cruzeiro aparece nas arquibancadas
O tamanho de uma torcida não pode ser medido apenas por pesquisas de preferência. Presença nos estádios, venda de ingressos, consumo de produtos, participação em programas de associação, audiência e engajamento digital também ajudam a dimensionar a relação entre o clube e seus seguidores.
Nesse conjunto de indicadores, o Cruzeiro vive um período de grande mobilização popular. Em 2025, o clube alcançou média de 41.652 torcedores em suas partidas no Mineirão, a maior de sua história desde a reinauguração do estádio, em 2013.
A marca superou os 40.421 torcedores por jogo registrados em 2022 e os 39.287 de 2024. Em 29 partidas com público disputadas no Mineirão em 2025, 12 receberam mais de 50 mil pessoas. Três jogos ultrapassaram 60 mil torcedores. Considerando somente o Campeonato Brasileiro, a média celeste chegou a 45.683 pessoas por partida.
O maior público daquele ano foi registrado na vitória do Cruzeiro por 2 a 0 sobre o Atlético-MG, pela Copa do Brasil: 61.584 torcedores. O clássico pelo Campeonato Brasileiro levou 61.106 pessoas ao estádio, enquanto outro confronto estadual entre os rivais reuniu 60.834 espectadores.
Esses números demonstram que a torcida cruzeirense não é apenas numerosa em pesquisas. Ela se desloca, ocupa o estádio, compra ingressos e transforma o Mineirão em um dos principais centros de mobilização popular do futebol nacional.

Crescimento nas redes sociais]
A expansão também ocorre no ambiente digital. Segundo o Ranking Digital dos Clubes Brasileiros, produzido pelo Ibope Repucom, o Cruzeiro terminou o primeiro semestre de 2026 entre os cinco clubes que mais conquistaram novas inscrições em suas plataformas oficiais.
A Raposa somou aproximadamente 295 mil novos seguidores no período, ficando no grupo de maior crescimento digital do país. O dado é importante porque revela capacidade de renovação, alcance de públicos mais jovens e expansão para além dos limites geográficos tradicionais.
Instagram, TikTok, Facebook, X e YouTube se tornaram instrumentos fundamentais para a construção de torcida. Os jogos continuam sendo o centro da paixão, mas bastidores, entrevistas, vídeos históricos, transmissões, conteúdos curtos e interações em tempo real mantêm o torcedor conectado diariamente.
O Cruzeiro possui ainda um vasto ecossistema de canais independentes, páginas, podcasts e criadores de conteúdo. Comparações absolutas com o rival mineiro no YouTube precisam adotar a mesma janela temporal e considerar exatamente os mesmos tipos de canais. Sem uma auditoria padronizada, não seria metodologicamente seguro afirmar uma proporção exata de visualizações. A multiplicação de produtores de conteúdo celestes, porém, é um sinal visível da força e da diversidade da comunidade azul.
O potencial de crescimento nacional
O resultado de 4% coloca o Cruzeiro em uma posição estratégica. A diferença para o São Paulo, quarto colocado, é de dois pontos percentuais, enquanto o Palmeiras, terceiro, aparece três pontos à frente.
A margem de erro impede interpretações excessivamente rígidas, mas o ranking mostra que o Cruzeiro integra o grupo superior do futebol brasileiro. A possibilidade de avançar dependerá de um conjunto de fatores: resultados esportivos, títulos, presença constante em competições internacionais, continuidade administrativa, formação de ídolos e aproximação com crianças e adolescentes.
A terceira posição nacional não é a realidade indicada pela pesquisa atual. Trata-se de uma ambição possível somente em uma perspectiva de longo prazo. Para reduzir a distância em relação aos clubes paulistas, o Cruzeiro precisará transformar seu atual movimento de recuperação em um ciclo prolongado de competitividade e crescimento.
A base para isso existe: torcida nacional, estádio cheio, identidade visual reconhecida, tradição de conquistas e forte capacidade de mobilização digital.
SAF comandada por Pedro Lourenço
A reconstrução recente está associada à SAF controlada pelo empresário Pedro Lourenço. Em abril de 2024, o proprietário dos Supermercados BH adquiriu de Ronaldo Nazário 90% das ações da empresa responsável pelo futebol do Cruzeiro.
Pedro Lourenço já possuía uma longa relação com o clube, participando de investimentos, empréstimos, patrocínios e operações ligadas à montagem de elencos. Com a aquisição, passou a controlar diretamente o projeto esportivo e empresarial da Raposa.
A relação entre o Cruzeiro e os Supermercados BH reúne duas marcas de enorme capilaridade em Minas Gerais. O Ranking ABRAS 2026 colocou a empresa na quarta posição entre as maiores companhias do varejo alimentar brasileiro, atrás de Carrefour, Assaí e Grupo Mateus e à frente do GPA.
A coincidência entre a expansão da rede varejista e o reposicionamento do Cruzeiro cria uma combinação de alcance territorial, relacionamento com consumidores e fortalecimento de marca. Isso não significa que o crescimento empresarial seja automaticamente transferido para o futebol, mas oferece uma estrutura de conhecimento comercial, distribuição e presença regional que pode favorecer projetos de relacionamento com o torcedor.
O desafio da SAF será converter investimentos em sustentabilidade. Contratações de impacto aumentam a visibilidade, mas o crescimento duradouro exige equilíbrio financeiro, categorias de base valorizadas, governança, infraestrutura, receitas recorrentes e desempenho esportivo.
Uma camisa reconhecida pelas cinco estrelas
Poucos uniformes possuem uma identidade tão imediata quanto a camisa azul do Cruzeiro. As cinco estrelas soltas permitem reconhecer o clube mesmo quando não há nome, iniciais ou o escudo circular completo.
Para os torcedores, trata-se de uma das camisas mais bonitas e simbólicas do futebol. A força visual está justamente na simplicidade: o azul ocupa o espaço principal, enquanto as estrelas reproduzem a constelação do Cruzeiro do Sul.
O modelo branco lançado para a temporada de 2026 também manteve as cinco estrelas soltas no peito. A peça homenageia os 60 anos do título brasileiro de 1966, conquistado após duas vitórias sobre o Santos de Pelé. O uniforme principal da temporada, por sua vez, faz referência à Libertadores de 1976 e apresenta elementos ligados ao mapa da América do Sul.
Essa identidade funciona como patrimônio cultural e comercial. Ela conecta diferentes gerações, facilita o reconhecimento da marca e permite que o clube desenvolva produtos sem abandonar seus elementos históricos.
História construída com títulos nacionais e internacionais
A grandeza popular do Cruzeiro está diretamente relacionada às suas conquistas. O clube venceu duas vezes a Copa Libertadores, em 1976 e 1997, e conquistou a Supercopa Libertadores em 1991 e 1992.
Também possui uma Recopa Sul-Americana, uma Copa Ouro e uma Copa Master da Supercopa. No futebol nacional, são quatro Campeonatos Brasileiros e seis Copas do Brasil, marca que mantém o Cruzeiro entre os maiores vencedores da competição.
Entre os principais títulos estão:
- Libertadores: 1976 e 1997;
- Supercopa Libertadores: 1991 e 1992;
- Campeonato Brasileiro: 1966, 2003, 2013 e 2014;
- Copa do Brasil: 1993, 1996, 2000, 2003, 2017 e 2018;
- Recopa Sul-Americana: 1998;
- Copa Ouro: 1995;
- Copa Master da Supercopa: 1995;
- Campeonato Brasileiro da Série B: 2022.
As duas Supercopas Libertadores possuem um significado especial. A competição reunia clubes que já haviam sido campeões da Libertadores e colocava o Cruzeiro diante das equipes mais tradicionais do continente. A Raposa derrotou o River Plate na decisão de 1991 e o Racing na final de 1992.
Esse currículo ajudou a construir a reputação internacional do clube. Em diferentes períodos, o Cruzeiro enfrentou e eliminou campeões argentinos, uruguaios, paraguaios, chilenos e colombianos, tornando-se um dos representantes brasileiros mais tradicionais nas competições sul-americanas.
Mais que um percentual
Os 4% registrados pelo Datafolha representam milhões de brasileiros quando projetados sobre a população adulta, mas pesquisas amostrais não devem ser convertidas em números absolutos sem cuidados metodológicos. O resultado mais seguro é a posição relativa: o Cruzeiro aparece entre as cinco maiores torcidas e lidera nominalmente entre os clubes de fora de Rio e São Paulo.
A pesquisa também precisa ser lida em conjunto com os outros sinais. A Raposa registrou sua melhor média de público no novo Mineirão, entrou no grupo dos clubes que mais cresceram nas redes durante o primeiro semestre de 2026 e permanece entre as marcas mais tradicionais do futebol sul-americano.
O Cruzeiro atravessou anos de crise, rebaixamento e reconstrução, mas sua torcida não abandonou o clube. Ao contrário: lotou estádios na Série B, participou do processo de retomada e voltou a transformar grandes partidas em acontecimentos nacionais.
É essa combinação entre memória, presença e esperança que diferencia uma torcida simplesmente numerosa de uma comunidade verdadeiramente apaixonada.
Durante o dia, o céu assume o azul que identifica a camisa. Quando chega a noite, as cinco estrelas do Cruzeiro do Sul permanecem visíveis no hemisfério que ajudou a dar nome ao clube. Para a imensa Nação Azul, a mensagem continua sendo a mesma: o Cruzeiro carrega o céu no peito — e o céu é o limite.