Erro estratégico leva Brasil à maior crise externa
Sanções dos EUA, sobretaxa de exportações e crise diplomática expõem fragilidade estratégica do país no novo cenário global
A decisão dos Estados Unidos de impor sanções ao ministro Alexandre de Moraes, seguida da tarifa de 50% sobre exportações brasileiras, marca um ponto de ruptura nas relações diplomáticas entre os dois países. Estima-se que o impacto das medidas possa chegar a US$ 5 bilhões em perdas ainda em 2025, dobrando em 2026, com consequências diretas sobre a inflação, o PIB e a cotação do real.
Mais do que uma retaliação comercial, o gesto de Washington tem peso geopolítico. O Brasil, segundo analistas, deixou de atuar com neutralidade diplomática e passou a se posicionar como antagonista no cenário internacional. A aproximação com regimes como Venezuela, Cuba, Irã e Rússia, além do protagonismo assumido nos BRICS e na tentativa de criar mecanismos alternativos ao dólar, foram vistos como desafios diretos à liderança americana.
O governo de Donald Trump, em sua nova fase, abandonou a complacência multilateral para reescrever as regras do comércio global com base em força e reciprocidade. Em vez de buscar adaptação ou neutralidade, o Brasil assumiu a dianteira de um confronto simbólico — sem respaldo internacional e sem vantagens econômicas claras.
A crise se agravou com sucessivos movimentos diplomáticos brasileiros que fragilizaram a relação com os EUA. Entre eles, o asilo à ex-primeira-dama do Peru, a defesa de Cristina Kirchner, a presença em eventos liderados por Putin e o embate com plataformas americanas como Starlink e X (Twitter). Juntos, esses gestos construíram o argumento que justificou a retaliação.
Além do custo econômico, o país perde reputação internacional. A retórica de enfrentamento, usada internamente para reforçar a imagem de um governo combativo, pode resultar em isolamento, queda na atração de investimentos e fuga de empresas com interesses estratégicos no continente.
Para especialistas, o Brasil ainda pode reverter esse cenário, desde que adote uma política externa pragmática e recupere pontes com o Ocidente. O Judiciário também tem papel relevante ao garantir estabilidade institucional e respeito às liberdades fundamentais.
O país ainda possui ativos estratégicos — energia limpa, mercado interno relevante, produção agrícola competitiva e posição logística privilegiada. Mas a janela de tolerância internacional está se fechando. O Brasil pode insistir em um papel de antagonista ou voltar à mesa como parceiro confiável. A escolha agora é política, mas os efeitos são econômicos — e irreversíveis, se não houver correção imediata de rumo.