Crise no arroz

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Crise no arroz expõe inação do governo federal e pressiona Ministério da Agricultura

Diante de um colapso no preço pago ao produtor, a cadeia orizícola do Rio Grande do Sul denuncia omissão do governo federal e cobra medidas urgentes do Ministério da Agricultura. A saca do arroz, que chegou a R$ 120 em 2023, hoje vale entre R$ 60 e R$ 65 em regiões produtoras, segundo a Federarroz. Com custos inviabilizando a atividade e estoques recordes estimados em 2 milhões de toneladas, o setor busca socorro junto a bancos e governos. Enquanto Banrisul e o governo gaúcho já abriram diálogo, a resposta federal é considerada lenta e insuficiente. “Não podemos aceitar que a produção nacional seja deixada à própria sorte”, critica Alexandre Velho, presidente da entidade.

A combinação de fatores como aumento de produtividade, enfraquecimento da demanda interna, exportações abaixo das expectativas e queda nos preços internacionais formou um cenário explosivo, sem resposta estrutural do governo federal. Dados do Cepea indicam queda acumulada de 41% nos preços do arroz em casca nos últimos 12 meses. A média estadual gaúcha caiu para R$ 73,20 em maio, retração de mais de 39% em relação a 2023.

Na tentativa de conter a pressão por vendas forçadas, a Federarroz busca renegociar os prazos de financiamento com Banrisul, Banco do Brasil e Sicredi. O Banrisul já sinalizou apoio à proposta. Paralelamente, a entidade cobra medidas fiscais do Estado e articula com a Conab e o Ministério da Agricultura um plano emergencial para garantir renda mínima ao produtor.

“O arroz alimenta o Brasil. Ignorar essa crise é negligenciar a segurança alimentar do país. A ausência do Ministério da Agricultura até agora é inaceitável”, afirmou Anderson Belloli, diretor jurídico da Federarroz.

Reuniões com representantes federais estão previstas para a próxima semana em Brasília, mas o setor cobra que ações saiam do papel. Até agora, o Ministério da Agricultura não apresentou nenhuma política concreta de amparo, compra pública ou suporte aos produtores em meio ao desequilíbrio de mercado. A Conab, por sua vez, será pressionada na sexta-feira (6) a apresentar mecanismos imediatos de intervenção.

Enquanto isso, produtores enfrentam uma escolha cruel: vender abaixo do custo ou comprometer sua capacidade produtiva futura. A crise não é apenas do arroz — é de governança, de resposta institucional e de responsabilidade com quem produz alimento no país.

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