Impactos das tarifas

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Tarifaço de Trump atinge café, carne e produtos brasileiros: impacto pode ser bilionário
O decreto assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impõe uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, gerou reação imediata no agronegócio nacional. Setores como carne bovina, café, pescados, frutas, mel e madeira estão entre os mais afetados. A medida entra em vigor no próximo dia 6 de agosto.

Apesar de cerca de 700 produtos terem sido isentos da nova tarifa, os principais itens da pauta de exportações do Brasil aos EUA ficaram de fora das exceções. No primeiro semestre de 2025, o café em grão somou US$ 1,17 bilhão em vendas, e a carne bovina, US$ 1,03 bilhão — valores que agora correm risco de retração, com redirecionamento de produção para mercados alternativos, especialmente na Ásia.

Segundo André Braz, da FGV, o aumento da oferta interna pode provocar queda de preços ao consumidor brasileiro, embora esse movimento seja insustentável a longo prazo, já que as margens da indústria podem se deteriorar com o excesso de estoque.

Entidades como Abic, Cecafé, Abiec, BSCA e Abrafrutas articulam com o governo federal e entidades internacionais para tentar reverter a decisão. Representantes apontam risco de inflação nos EUA e prejuízo às relações comerciais. O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, declarou que produtos como café podem ser isentados caso o Brasil firme acordo formal de livre comércio — o que atualmente não existe.

Enquanto isso, empresas como a Marfrig já suspenderam parte da produção destinada aos EUA. A Abipesca solicita linha emergencial de R$ 900 milhões para evitar colapso imediato no setor de pescados, com estoques parados e risco de demissões.

As novas tarifas somam-se a alíquotas já existentes, como a de 26,4% sobre carne bovina, totalizando quase 76,4% de imposto. Para frutas como manga e uva, além de produtos florestais e papéis de embalagem, a taxação também se tornou inviável, afetando diretamente pequenos produtores.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o impacto total pode superar US$ 10 bilhões por ano, caso as tarifas não sejam revistas. O governo brasileiro mantém conversas diplomáticas, mas o desgaste nas relações bilaterais, somado à crise institucional e às sanções anteriores impostas pelo governo americano, tornam o cenário incerto.

Especialistas ouvidos pelo jornal apontam que o Brasil precisa agir com pragmatismo e retomar a credibilidade comercial com os Estados Unidos, seu segundo maior parceiro econômico. A curto prazo, a única certeza é o aumento da pressão sobre o agronegócio nacional e a possibilidade de ajustes severos no mercado interno.

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