Um dia após os Estados Unidos aplicarem sanções ao ministro Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu um jantar reservado no Palácio da Alvorada com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A reunião sinaliza união entre os Poderes em meio à crescente pressão internacional.
Na noite de quinta-feira (31), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para um jantar no Palácio da Alvorada. O encontro ocorreu em clima de tensão institucional, no dia seguinte à decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, alegando violações a direitos humanos e repressão à liberdade de expressão no Brasil.
Moraes compareceu ao jantar e foi fotografado ao lado de Lula e Gonet, em imagem registrada pelo fotógrafo Wilton Júnior, do jornal O Estado de S. Paulo. A cena simboliza o apoio político e institucional recebido pelo ministro, mesmo diante da condenação internacional.
Também participaram do encontro o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Edson Fachin. Todos os 11 ministros da Corte foram convidados. O ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, foi o único a recusar o convite, segundo informou a Coluna do Estadão.
Estiveram ainda presentes os ministros da Justiça, Ricardo Lewandowski, e da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias. Segundo fontes próximas ao governo, o objetivo do encontro foi discutir a estratégia institucional do Brasil frente às recentes ações dos Estados Unidos, incluindo as tarifas de 50% sobre exportações brasileiras.
O jantar é interpretado por analistas como um gesto político claro de que o governo Lula e o STF atuam de forma coordenada em meio ao cenário de críticas internas e externas. A aproximação, embora legal, reforça a percepção de que Executivo e Judiciário operam em sintonia em decisões centrais para o país, o que vem sendo alvo de críticas por parte da oposição, de especialistas e da comunidade internacional.
A postura do governo norte-americano marca uma mudança de tom inédita nas relações bilaterais, e coloca o Brasil em posição delicada frente a seus parceiros comerciais e democráticos. Lula, que vinha tentando manter neutralidade geopolítica, vê-se agora pressionado a dar respostas mais contundentes.