Plano Safra é insuficiente, avalia Faemg

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Apesar do volume histórico anunciado para o Plano Safra 2025/2026, de R$ 516,2 bilhões, produtores rurais de Minas Gerais alertam que os recursos estão longe de atender às necessidades reais do setor. A avaliação é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Antônio de Salvo, após lançamento do plano pelo governo federal.

Segundo Salvo, os recursos anunciados cobrem apenas parcialmente a demanda estimada em R$ 1,3 trilhão para custeio, comercialização e investimentos no estado. “Esse valor atende somente parte ou quase metade do necessário. Precisamos contar com financiamento privado para cobrir o restante”, afirmou.

O dirigente também criticou as altas taxas de juros previstas, destacando que a rentabilidade dos produtores pode ser comprometida. As taxas foram definidas em 10% ao ano para médios produtores (Pronamp) e 14% para grandes produtores nas operações de custeio e comercialização. Para investimentos, variam entre 8,5% e 13,5%. “Com essas taxas, dificilmente a agricultura pode ser viável a longo prazo”, pontuou Salvo.

Outro problema levantado é a falta de garantia sobre a efetiva chegada dos recursos às agências bancárias, fator que gerou dificuldades em planos anteriores. “No ano passado, menos de 80% dos recursos prometidos chegaram efetivamente aos produtores”, alertou.

Além disso, Salvo ressaltou a urgência na ampliação de um seguro agrícola robusto e melhorias na logística e armazenagem, fundamentais para garantir maior segurança e estabilidade no campo. Para ele, sem essas medidas estruturantes, o setor continuará enfrentando desafios significativos de sustentabilidade econômica.

O governo federal, por sua vez, destacou esforços para equilibrar produção e proteção ambiental, com condições especiais para práticas sustentáveis, como taxas reduzidas para produtores que adotarem medidas de conservação. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, explicou que apesar das críticas sobre os juros, o aumento foi menor que o crescimento da taxa básica Selic, atualmente em 15% ao ano.

Ainda assim, a Faemg reforça que, sem ajustes estruturais e maior previsibilidade no acesso ao crédito, o novo Plano Safra pode não atingir plenamente os objetivos de fortalecimento do agronegócio mineiro e brasileiro.

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