Trump impõe tarifa de 50% sobre exportações brasileiras: veja os principais produtos atingidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quarta-feira (30) uma ordem executiva que impõe uma tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros exportados ao mercado americano. A medida, que entra em vigor em 6 de agosto, afeta diretamente a balança comercial brasileira e amplia a tensão diplomática entre os dois países.
Segundo o documento oficial, o decreto foi justificado por uma “emergência nacional” decorrente de ações do governo brasileiro consideradas “incomuns e extraordinárias”, que estariam prejudicando empresas e cidadãos norte-americanos. A alegação menciona “perseguição, intimidação, censura e processos politicamente motivados”, em referência à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que responde a investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os setores atingidos, estão produtos de alto valor para a pauta exportadora nacional. Segundo dados de 2024 do governo brasileiro, os seguintes itens serão sobretaxados:
Café não torrado: US$ 1,9 bilhão em exportações (4,7% da pauta);
Equipamentos de engenharia civil: US$ 1,5 bilhão (3,6%);
Carne bovina: US$ 944 milhões (2,3%);
Madeira parcialmente trabalhada: US$ 737 milhões (1,8%);
Cimento, cal e materiais de construção: US$ 709 milhões (1,8%);
Açúcares e melaços: US$ 610 milhões (1,5%).
O café, produto líder do agronegócio brasileiro nos EUA, ficou fora da lista de exceções e será tarifado integralmente. Entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) articulam negociações com seus pares americanos para tentar incluir o produto na lista de isenções. “Seguiremos colaborando com as autoridades, confiando na diplomacia brasileira”, afirmou a Abic em nota.
A carne bovina, segundo item mais vendido aos EUA, também será afetada. Em 2024, 65% da carne bovina industrializada brasileira teve como destino o mercado americano. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avalia que, com a nova tarifa somada à alíquota atual de 26,4%, o imposto total inviabiliza economicamente o comércio com os EUA.
Apesar da medida atingir setores sensíveis, cerca de 35% da pauta exportadora brasileira foi poupada. Produtos estratégicos como petróleo, peças de aeronaves e suco de laranja foram excluídos da sobretaxa — o que representa um alívio parcial para o governo brasileiro.
O impacto da medida, no entanto, deve ultrapassar os R$ 10 bilhões por ano em perdas para a economia nacional, segundo estimativas preliminares da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Além disso, o excedente de produtos que seriam destinados à exportação pode causar, no curto prazo, uma redução nos preços internos — especialmente de carne e café —, segundo análise do economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Ainda há expectativa de reversão parcial da medida. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que itens não produzidos em território americano — como café e manga — poderiam ser isentados, desde que exista acordo formal de livre comércio com o país de origem, o que o Brasil não possui no momento.
No campo político, a medida foi interpretada como uma escalada na tensão entre Brasil e Estados Unidos. Analistas apontam que, além de efeitos comerciais, o tarifaço sinaliza um desgaste mais profundo nas relações diplomáticas, agravado por episódios recentes envolvendo liberdade de expressão e ações do STF.