Tite volta após pausa e assume Cruzeiro em 2026

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Tite é Cruzeiro!

O Cruzeiro oficializou nesta terça-feira (16) a contratação de Tite, 64 anos, para comandar a equipe a partir da temporada 2026. O treinador gaúcho assinou vínculo até dezembro do ano que vem e substitui o português Leonardo Jardim, que pediu para deixar o clube por motivos pessoais após a eliminação na semifinal da Copa do Brasil diante do Corinthians.

Recomeço após sete meses longe do futebol

A chegada à Toca da Raposa marca o retorno de Tite aos bancos depois de sete meses afastado para cuidar da saúde mental e física. Em abril, após um acerto verbal com o Corinthians, o técnico sofreu uma crise de ansiedade, anunciou publicamente que “daria uma pausa” na carreira e ficou fora do mercado por tempo indeterminado.

Durante o período, o treinador recebeu sondagens de clubes como Santos, Fortaleza e Botafogo, além da Federação Venezuelana de Futebol, mas recusou todas para manter o descanso. Em 22 de novembro, declarou em rede social que se sentia recuperado e pronto para voltar ao trabalho, reabrindo as conversas com interessados no Brasil e no exterior.

Cruzeiro em alta e projeto para 2026

O convite celeste chega em um momento de reconstrução com resultados. Em 2025, o Cruzeiro encerrou o Campeonato Brasileiro com a terceira melhor campanha entre os 20 clubes e garantiu vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2026, além de chegar à semifinal da Copa do Brasil.

A missão de Tite será dar continuidade ao trabalho iniciado por Leonardo Jardim, mantendo o time competitivo em quatro frentes: Campeonato Mineiro, Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. Segundo o clube, o treinador começa a trabalhar em janeiro, com estreia prevista para o dia 10, quando o elenco se reapresenta para a pré-temporada.

Na saída da Toca II, Tite falou brevemente com a imprensa e resumiu o sentimento pelo novo desafio em poucas palavras: “orgulho e gratidão pelo convite”, disse, da janela do carro, antes de deixar o CT.

Saída de Jardim também expôs peso da saúde mental

A troca de comando no Cruzeiro está diretamente ligada ao tema saúde mental. Na segunda-feira (15), Leonardo Jardim se despediu do clube em entrevista na Toca da Raposa II e explicou que não se via em condição de seguir em 2026. Ele afirmou que o trabalho de treinador exige “estar a 200%” e reconheceu que não conseguiria manter esse nível de dedicação no início da próxima temporada, citando desgaste físico, emocional e motivos familiares.

O português relatou um ano marcado por viagens, pressão esportiva e o acompanhamento da esposa em hospital, episódios que o levaram a acionar a cláusula contratual que lhe permitia encerrar o vínculo ao fim de 2025. Ele destacou gratidão ao clube e à torcida, mas disse preferir sair a trabalhar “pela metade”.

Assim, Cruzeiro e Flamengo, últimos clubes de Jardim e Tite, tiveram recentemente treinadores que decidiram se afastar para preservar a própria saúde, o que reforça um debate ainda recente no futebol sobre limites de carga de trabalho e pressão em cargos de alto desempenho.

Currículo de peso para um elenco em reformulação

Natural de Caxias do Sul, Adenor Leonardo Bachi construiu uma das carreiras mais vitoriosas entre técnicos brasileiros. No país, coleciona títulos por Caxias, Grêmio, Internacional, Corinthians e Flamengo. Entre as principais conquistas estão a Copa do Brasil de 2001, a Copa Sul-Americana de 2008, a Suruga de 2009, a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2012, além de dois Campeonatos Brasileiros (2011 e 2015) com o Corinthians e a Copa América de 2019 pela Seleção Brasileira.

A passagem pela seleção, entre 2016 e 2022, consolidou o técnico no cenário internacional, com participação em duas Copas do Mundo. Depois, ele comandou o Flamengo entre 2023 e 2024, conquistando o Campeonato Carioca de 2024.

Com o acerto com o Cruzeiro, Tite passa a ter no currículo sete dos 12 clubes considerados de maior torcida do país, juntando-se a experiências anteriores em Grêmio, Atlético-MG, Palmeiras, Internacional, Corinthians e Flamengo. Será, porém, a primeira vez que comandará a Raposa – e a segunda que trabalhará em Belo Horizonte, após breve passagem pelo rival alvinegro em 2005.

Estilo de jogo e expectativas da torcida

O Cruzeiro aposta em um treinador conhecido pela organização defensiva, linhas compactas e valorização da posse de bola com passes curtos e triangulações. Em seus trabalhos mais marcantes, Tite construiu equipes com forte coordenação entre defesa e meio-campo, pressão controlada na saída de bola adversária e alta exigência de disciplina tática.

No elenco celeste, o técnico encontrará jogadores experientes no cenário nacional e internacional, além de atletas com quem já trabalhou em outros clubes, o que pode facilitar a adaptação das ideias de jogo no início da temporada. A diretoria admite que a chegada de Tite também tende a influenciar o planejamento de contratações e saídas para 2026, reforçando setores considerados carentes para encarar o calendário cheio da Libertadores.

Serviço ao torcedor: o que vem agora

Com o anúncio oficial, o próximo passo é a apresentação do treinador em coletiva na Toca da Raposa II, nas próximas semanas, seguida do início dos trabalhos de pré-temporada. A expectativa é que Tite participe diretamente da definição do grupo que disputará o Campeonato Mineiro e a fase de grupos da Libertadores, além do planejamento de logística para um ano de viagens intensas.

Para o torcedor, a mudança marca o início de um novo ciclo: depois de uma temporada de retomada, com volta ao protagonismo nacional, o desafio passa a ser consolidar o Cruzeiro entre os protagonistas também no cenário continental, sob comando de um dos técnicos mais experientes do país.

Títulos de Tite como treinador:

Campeonato Carioca 2024, com o Flamengo
Copa América 2019, com a Seleção Brasileira
Recopa Sul-Americana 2013, com o Corinthians
Campeonato Paulista 2013, com o Corinthians
Copa do Mundo de Clubes da Fifa 2012, com o Corinthians
Copa Libertadores 2012, com o Corinthians
Campeonato Brasileiro 2011 e 2015, com o Corinthians
Copa Suruga Bank 2009, com o Internacional
Copa Sul-Americana 2008, com o Internacional
Copa do Brasil 2001, com o Grêmio
Campeonato Gaúcho 2000, com o Caxias; 2001, com o Grêmio; e 2009, com o Inter

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