A convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo, realizada na última segunda-feira (18), no Rio de Janeiro, teve Neymar como centro das atenções. Em depoimentos à Agência Brasil, os comentaristas do núcleo de Esportes da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) analisaram a lista do técnico Carlo Ancelotti e discutiram a presença do atacante, que não vestia a Amarelinha desde outubro de 2023 e conviveu com lesões ao longo do ciclo.

Para Sergio du Bocage, a escolha por Neymar não surpreende, mas confirma que o grupo de atletas que vai Mundial, apesar de ter boa qualidade, não é de protagonistas como o próprio camisa 10 “já foi um dia”, na visão do jornalista.
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“Aos 34 anos, ele [Neymar] pode estar em um bom ritmo no Santos, mas não sei se no mesmo patamar que uma Copa exige. Como são 26 jogadores [convocados], o Neymar acabou entrando. Talvez, se fossem 23 [como era até 2018], ele não fosse chamado pelo Ancelotti”, avaliou Bocage.
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Não são apenas 26 nomes. São 26 corações que sonharam com esse momento.
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— brasil (@CBF_Futebol) May 18, 2026
Na opinião de Bruno Mendes e Marcelo Smigol, a convocação do camisa 10 do Santos, que tem seis gols e quatro assistências em 15 jogos na temporada, foi correta. A leitura de cada um, porém, é diferente.
“[O Neymar] Traz um peso. Ele veste uma camisa 10 pesada, [é um jogador que] tem importância no futebol e que é respeitado no mundo do futebol”, destacou Mendes.
“Apesar de achar que não está jogando uma bola redonda para ser convocado, achei bom ele [Ancelotti] ter chamado [o Neymar], para botá-lo para jogar. Se não chama, é pior. Se perde, iriam dizer: ‘ah, não chamou o Neymar’. Agora que chamou, em algum momento terá que colocá-lo e a gente verá se o Neymar pode ajudar a seleção brasileira”, avaliou Smigol.
Já Rodrigo Ricardo considerou a presença de Neymar uma surpresa. Para ele, o extracampo pesou na decisão de levar o atacante, maior artilheiro da seleção brasileira masculina, com 79 gols em 125 partidas.
“Acho que [Neymar] foi mais convocado por questões comerciais, pressão de patrocinadores, pela própria opinião pública. Metade [do público] gostaria que ele fosse e outra metade que não. O Ancelotti não quis entrar nessa bola dividida. Ele não tinha sido convocado nenhuma vez pelo Ancelotti e não acho que as atuações pelo Santos justificam a convocação. Mas ele vai para compor elenco, pela experiência e o nome que ele tem”, discorreu o jornalista.
Quem também não acredita que Neymar chegue como titular da seleção brasileira para a Copa é Rachel Motta.
“O Neymar, provavelmente, não será utilizado no meio-campo. Deve jogar como atacante, mas não dá para ele cair pela ponta esquerda, que é a posição do Vinícius Júnior. Então, o grande questionamento é: como será o esquema do Ancelotti com o Neymar”, projetou.
Surpresas e debates
Os comentaristas também analisaram os demais nomes chamados por Ancelotti e os que ficaram fora da lista final. As convocações do goleiro Weverton, do Grêmio, e do atacante Rayan, do Bournemouth (Inglaterra), foram destacadas pelos profissionais da EBC.
“O Rayan acho que foi uma boa surpresa, porque ele está fazendo uma grande Premier League[Campeonato Inglês] e logo em sua primeira temporada na Europa. Está em um momento ascendente”, avaliou Rodrigo Ricardo, em referência ao ex-atacante do Vasco, que fez cinco gols e deu duas assistências em 14 partidas pelo clube, que defende desde janeiro.
“O Weverton, com certeza, ganhou a vaga por conta das falhas do Bento [goleiro do Al-Nassr, da Arábia Saudita, ex-Athletico-PR] e do Hugo Souza [Corinthians] nas últimas atuações pelos clubes. São falhas que, quando você pensa em um jogador de nível de seleção brasileira, nível mundial, não poderiam acontecer”, analisou Rachel.
“O Rayan está mantendo um bom nível de futebol, mesmo na Premier League. E o Weverton, para mim, poderia ser titular, com Alisson [do Liverpool, da Inglaterra] machucado [recupera-se de uma lesão muscular na coxa direita] e Ederson [do Fenerbahçe, da Turquia] em uma temporada irregular”, completou Bruno Mendes, que também elogiou a lembrança do zagueiro Léo Pereira, do Flamengo, na convocação.
Já a presença de Lucas Paquetá, meia do Rubro-Negro carioca, dividiu os comentaristas.
“[Paquetá] É outro que não vinha jogando tão bem, caiu de nível e não tinha sido lembrado pelo Ancelotti nas últimas convocações”, avaliou Rodrigo Ricardo.
“O Paquetá ganhou a posição do Andrey Santos [Chelsea, da Inglaterra, ex-Vasco], que caiu de rendimento lá fora enquanto o Paquetá vem jogando bem no Flamengo”, disse Bocage.
“[Paquetá] É uma ótima opção. Ele é um jogador com experiência no futebol europeu, que conhece o elenco, conhece o cenário de pressão. A gente sabe que o Paquetá será banco, mas é uma excelente opção de criação”, elaborou Rachel.
Entre os jogadores que não foram lembrados por Ancelotti, a ausência que mais chamou atenção dos analistas da EBC foi a de Pedro. Artilheiro do Campeonato Brasileiro, o atacante do Flamengo esteve na pré-lista de 55 nomes enviada à Federação Internacional de Futebol (Fifa), mas ainda não tinha sido convocado por Ancelotti.
“O Pedro ficou fora porque o Ancelotti deu preferência ao Igor Thiago [atacante do Brentford, da Inglaterra]. Acredito que ele tenha considerado que quem joga na Premier League está mais acostumado a esse futebol que se pratica na Europa. Eu lamento a ausência do Pedro, que já esteve em uma Copa, mas é opção do Ancelotti”, comentou Bocage.
“Acho que o Pedro, pelo momento e por não termos um jogador de referência, talvez pudesse ser usado. Mas listas sempre agradam e desagradam”, disse Rodrigo Ricardo.
“Evidentemente que o Ancelotti tem que fazer opções, mas o Pedro e o João Pedro [atacante do Chelsea] são ausências sentidas”, resumiu Bruno Mendes.
Análises a parte, os comentaristas da EBC acreditam que, mesmo não sendo o principal favorito, o Brasil tem condições de buscar o título em Estados Unidos, México e Canadá.
“Achei que a convocação foi boa. Ninguém sabe melhor que o Ancelotti quem ele vai usar e de quem ele precisa para ganhar a Copa. O que a gente precisa, agora, é torcer pela seleção que vai representar nosso país. Precisamos muito ganhar uma Copa”, projetou Smigol.
“O Ancelotti tem bom material humano. Não é uma seleção espetacular, mas pode fazer bom papel e, se der sorte e tudo se encaixar, trazer o hexa sonhado”, concluiu Rodrigo Ricardo.